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04.01.15 - 'Do Inferno' de Alan Moore

Posted by Stella on 00:05 in ,
Desde a última postagem já li bastante coisa: Licor de Dente-de-Leão, Retalhos, Cartas do Papai Noel, Fantasmas e Viagens no Tempo e comecei a ler O Jogo da Amarelinha. (ufa!) Tudo isso em 5 dias! E hoje eu (finalmente) terminei o maravilhoso Do Inferno do mago das histórias, Alan Moore, que é sobre o que o post vai falar.
Este é um romance gráfico - que eu me recuso a chamar de "quadrinho", porque por algum motivo parece diminuir a qualidade da história, o espírito e zelo jornalístico posto nela. O livro tem 592 páginas e foi publicado pela primeira vez em 1989. Aqui no Brasil, eu li a edição traduzida da Editora Veneta, publicada em 2014. Este livro vai narrar os eventos em torno da história do Jack, o Estripador, que ocorreram em Londres em 1888. Ele foi ilustrado por Eddie Campbell, que fez um trabalho sensacional todo em preto e branco.
A grande diferença desse livro é o tom dado por Moore. Assim como em outras obras, ele não somente conta a história, como o faz de uma forma muito didática. Durante a leitura dos capítulos, eu sentia como se estivesse assistindo a uma aula. Todo o desenvolvimento do personagem do assassino é feito de uma forma que ele se torna assustadoramente hipnotizante. Moore escolheu como seu assassino a versão que acusa o famoso cirurgião real William Gull, que também pertenceria à Maçonaria. De acordo com essa versão, Gull teria começado os assassinatos à serviço da coroa, para evitar um escândalo envolvendo um bastardo real. Só que as coisas acabaram saindo do controle, devido à personalidade sombria de Gull.
Isso foi um resumo muito muito muito resumido mesmo. Essa é só a narrativa principal. Mas o romance é muito mais do que isso. Ele intercala citações de outras obras, crítica social e política, teorias da conspiração e filosofia. Todos os personagens envolvidos na trama são aprofundados, inclusive as vítimas são muito bem desenvolvidas, o que faz com que o leitor realmente se importe com o destino delas, você se envolve com a história.
Depois do caso ser - de certo modo - concluído, Gull faz um tipo de viagem metafísica antes de morrer, na qual ele visita vários lugares e pessoas em diferentes formas incorpóreas, colocando em movimento eventos de diversas épocas, como a famosa pintura de William Blake, O Fantasma de uma Pulga. (referência no livro à esquerda)
Em outro quadro, ele mostra Robert Louis Stevenson acordando de uma dessas "visitas incorpóreas" do Gull e esboçando Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde. (à direita)




No final do livro, Moore faz uma análise de capítulo, página à página, explicando o que seria baseado em fatos reais e confirmados e o que seria ficção. Realmente envolve um trabalho investigativo incrível. (foto de uma das páginas acima)

No apêndice (primeira página à direita), temos uma narrativa ótima de como esses crimes influenciaram a literatura e a arte ao longo dos anos. Além das referências dentro da própria história do Moore, temos muitas outras narradas aqui de uma forma bastante irreverente, chegando até os dias de hoje. Aliás, o autor inclui a si próprio (à esquerda) nesse apanhado de pessoas que estavam tentando "pegar a gaivota" (catch the Gull).
Sensacional. Vale muito a pena a leitura. 5 estrelas.


Alan Moore, gênio e piadista.

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