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08.12.14 - 'Vincent' de Barbara Stok

Posted by Stella on 19:34 in , ,
Livraria Leonardo da Vinci

Estava eu andando pela livraria Leonardo da Vinci, no Centro do Rio, só passeando mesmo, porque estava muito quente na rua e eu estava cansada. Sempre que fico cansada, entro numa livraria e fico lá olhando os livros por um tempo. De alguma forma, aquelas palavras impressas fazem com que eu me sinta bem de novo, disposta.
Pois bem, entrei lá e quando passei pela prateleira de quadrinhos me deparei com Vincent, escrito e ilustrado pela holandesa Barbara Stok e trazido para o Brasil pela L&PM Editores na tradução de Camila Werner. Foi amor a primeira vista. Quando olhei o desenho na capa, já sabia sobre o que seria, já sabia que eu ia amar. O estilo de Stok me lembra muito As Aventuras de Tintim. É de uma simplicidade gostosa de acompanhar e, junto com o texto, você não se sente tão distante do pintor.
Falando sobre a narrativa, esta é feita a partir das imagens e o texto consiste em diálogos e partes epistolares, com cartas entre Vincent Van Gogh e seu irmão, Theo Van Gogh - pessoa que mais apoiou o pintor e o sustentou durante toda a vida. Theo acreditava de verdade no poder da arte e parece ser a pessoa que mais compreendeu o gênio de Van Gogh. Gênio este que irritou outros tantos conhecidos a ponto de realmente afastá-los de sua convivência. O artista sofria, possivelmente, de epilepsia e no livro os ataques são sempre desencadeados pelo estresse e ansiedade. Ele queria muito passar o que a arte significava para ele, mas sempre que se frustrava, isso crescia e acabava causando os ataques, que eram cada vez piores. Parece que foi em um desses ataques que ele arrancou a própria orelha.
Tem um trecho de uma das cartas que ele escreve para o irmão que achei particularmente bonito:
"As estrelas me fazem pensar nos pontos negros que mostram onde estão as cidades e as vilas em um mapa. Imagine se os pontos brilhantes no céu estivessem tão acessíveis quanto os pontos negros no mapa da França. Se assim como pegamos um trem para ir a Tarascon ou Rouen também pudéssemos pegar a morte para ir até uma estrela. Não me parece impossível que a cólera, a tuberculose, ou o câncer sejam meios de transporte celestes, assim como barcos a vapor e trens são meios de transporte terrenos." (p.57)
Sei que é uma beleza um tanto quanto mórbida, mas ainda assim, bonito.
O relacionamento destes dois irmãos parece ser parte do foco do livro, já que os diálogos são divididos entre conversas entre Vincent e seus amigos, e Theo com sua esposa. Nestas conversas, temos a análise externa, a forma como Theo via o irmão - uma pessoa difícil de conviver, mas fácil de amar. Do outro lado, temos os exemplos do que este explicava, com Vincent cortando a fala das pessoas e não ouvindo ninguém além de si mesmo. Ele não parecia mesmo ser uma pessoa fácil de lidar. Alguns dizem que sua doença não era mental, mas afetiva. Ele gostava de beber e estava sempre muito envolvido com o trabalho, cansando até aqueles que praticavam da mesma arte. Outro ponto que me faz achar que este livro é sobre os dois é a forma como termina. Mas não quero estregar o final.
Mas não tem como não amar essa personalidade, nem que seja de longe. Acho Vincent Van Gogh um artista único. E este é um livro muito especial, indico a todos aqueles que conseguem ver algo além quando olham para as coisas, àqueles que conseguem captar a beleza dos detalhes, àqueles para os quais a vida é mais do que aquilo que está na superfície.

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