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25.05.14 - Greetings from underground

Posted by Stella on 13:49 in
Realmente não fazia ideia de quanto tempo não escrevia aqui. Acho que perdi completamente a noção de tempo. Provavelmente isso se deve a fazer as mesmas coisas todos os dias, depois de alguns anos só consigo controlar que dia da semana é hoje e olhe lá. Se alguém me diz que já tem seis meses que não faço isso ou aquilo, posso jurar de pé junto que não passou tanto tempo assim e, consequentemente, vou quebrar a cara.

Sinto que já passou da hora de mudar, de fazer coisas novas, de cortar o cabelo, de viajar... mas parece que sempre que eu tento planejar algo, mil coisas caem na minha cabeça. Isso me lembra uma peça do Beckett na qual a personagem vai se deixando enterrar até um ponto em que não há mais saída, que só resta se conformar. E eu tenho muito medo que isso aconteça. Deve ser por isso que crio tantas expectativas e esperanças em tudo que tento fazer, como se cada coisinha fosse A Grande Mudança. Mas já me ensinaram que não basta mudar nada do lado de fora se as coisas não mudam dentro de nós. Todos os dias eu faço planos e percebi um padrão: não cumpri-los. E enquanto eu não cumpri-los eu não estarei falhando. Mas acho que simplesmente não realiza-los já é falhar, não é?

Aprendi que o responsável por nossos problemas somos nós mesmos. Já passei da fase da negação, admito a culpa. O problema está sendo seguir para a próxima fase, apenas porque eu não sei qual é. Depois do estágio de aceitação, e agora, José? Aceito a responsabilidade pelas minhas falhas, mas o problema é que eu não sei direito o que eu perdi. Eu tenho um emprego, tenho um relacionamento com uma pessoa que eu amo e que eu sei que me ama, tenho uma mãe maravilhosa que está sempre lá por mim... e então por que esse vazio?
Ninguém nos prepara direito para o que vai acontecer depois que você "crescer". Enquanto eu ainda estava estudando, tudo parecia uma possibilidade, uma mudança. Acho que o que eu perdi foi a vontade de correr atrás dos meus sonhos, porque não sei mais se realmente eram meus. Os anos estão passando cada vez mais rápido e aquela menina ansiosa por virar logo adulta foi ansiosa demais e meteu os pés pelas mãos. Acho que se eu pudesse viajar no tempo e falar comigo mesma, diria pra ter mais calma, pra aproveitar mais. Como se faz pra deixar de ser nostálgica?
Outro dia vi um link de uma entrevista horrível que a Madonna deu para a Marília Gabriela há anos atrás e tem uma parte em que ela diz que o melhor momento da vida dela é "agora". Que ela hoje é melhor do que ontem e que amanhã ela será melhor do que hoje. Achei isso lindo. Queria ser assim. Acho que eu hoje sou "mais" várias coisas, só não sei se são coisas positivas, mas daí sempre tive meu pezinho na autodepreciação, então melhor não entrar nesse assunto. Só sei que estou usando este post pra desabafar e desenferrujar. Tenho lido muito, mas escrito pouco - pra ser honesta, escrito nada. Achei que vir aqui e escrever o que se passa pela minha cabeça seria uma boa maneira de recomeçar. Só não tenho muita certeza de até que ponto isso foi uma boa ideia, porque minha cabeça está mais bagunçada que meu armário (e olha que meu armário está praticamente começando a falar só pra gritar comigo).
Acho que devia colocar um anúncio no jornal: precisa-se de novos ares. Quem souber onde conseguir, favor entrar em contato.

:P

1 Comments


Saudades de te ler menina stella . No fundo é uma questão de ângulos e perspectivas. É preciso se afastar para enxergar tudo e identificar de onde vem o vazio, mas cada um precisa descobrir a sua fórmula e receita. Não há nada pronto. Ótima semana para ti.

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