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17.07.13 - Uma arte singular

Posted by Stella on 17:55 in ,
Fazer alguém sentir-se especial é um talento que nem todos têm. Muitos tentam ter, mas falham miseravelmente. Eu não tenho. Geralmente, quando tento fazer alguém se sentir especial, acaba sendo mais pra mim do que pro outro, o que no final das contas não vale muita coisa. Como explicar isso?
Bem, geralmente quando quero fazer alguém se sentir especial tento pensar em algo que faria a pessoa feliz, então eu vou atrás daquilo, faço e, claro, fico esperando aquele "não acredito que você lembrou! Obrigada!" porque afinal era disso que eu estava atrás...opa. Não. Não era disso que eu estava atrás! Era? E se era, isso faz de mim uma pessoa horrível? Talvez...
Eu sempre fui o tipo de pessoa que gosta de aplauso. Se eu arrumei minha cama, espero ouvir mamãe falar "êêê! Que linda!", se tirei 10 na prova, espero ler o comentário do professor dizendo que eu tenho talento analítico (nunca mais vou esquecer esse comentário que o Paulo Bezerra fez na minha análise poética em 2007), se eu fiquei horas fazendo um vídeo de dia dos namorados, espero que o Gabriel me abrace e diga que eu sou a melhor namorada do mundo, se eu trabalhei mais do que precisava sem que isso fosse pedido, espero que digam o quanto eu sou incrível. E isso não pode ser bom. Sabe por quê? Porque quando eu não tenho esse retorno fico absurdamente deprimida, sentindo que "tudo" que eu faço não serve pra nada, que eu sou uma Inútil - é, com "i" maiúsculo. Mas nem precisa gastar seu português, eu sei que o fato de não me darem parabéns por algo não significa que tenha sido ruim, muito menos que eu seja uma inútil. Simplesmente não quer dizer nada. E com o tempo eu venho me conformando com o nada. Mas admito que eu sempre dou um jeito de contar pra alguém o que eu fiz, velhos hábitos não se perdem de um dia pro outro.
Mas não foi por isso que eu comecei a escrever esse post. Hoje aconteceu uma coisa que me fez sentir muito especial, de um jeito que eu não sei fazer, mas gostaria muito de saber. Um amigo meu começou (finalmente) a ler "Dança com os Dragões", que eu venho enchendo o saco dele há tempos dizendo que é o melhor livro da série. Acontece que ele postou uma foto da capa com uma dedicatória, dizendo que ele escreveu pra ele mesmo, mas que 'roubou' as palavras de uma amiga, que ele não sabia se ia lembrar que disse isso. Bem, eu lembrei... ele tirou aquelas palavras de 2009, onde eu indicava um outro livro, "Complete Prose" do Woody Allen, que mais tarde emprestei pra ele ler. Esse amigo é muito querido, mesmo que eu não o veja tanto - provavelmente conta-se nos dedos de uma mão o número de vezes que a gente se vê no ano - e eu fico imensuravelmente feliz em saber que, além dele confiar nas minhas indicações literárias, ele pegou minhas palavras e colocou no meu lugar favorito no mundo: num livro. Obrigada.

Aí o leitor esperto e sagaz pergunta; "Mas você não disse que não tinha tempo pra nada? Como tem tempo pra ler?" E eu, é claro, respondo a pergunta: porque, pra mim, ler não é um fardo. Na verdade, é o que me salva de ficar louca de vez.


3 Comments


Stella,

Eu coloquei o título do livro da ilustração no tradutor google, e ele traduziu do latim para o português: mente adormecida.

=D
Marcos


Ai, que inveja! Quero um amigo assim! =P <3


Marcos Satoru Kawanami,
essa é uma pintura do Vladimir Kush, que faz referência à outra pintura dele, que é a arte que aparece no livro. Eu entendo a mensagem mais como "o livro é o meu ópio", mesmo que não seja essa a tradução. :)

Erick,

<3

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