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22.02.12 - Só não me leve a sério

Posted by Stella on 15:03 in

Imagino que quando você leu esse título pensou que era um texto de comédia, certo? Então, não é bem por aí. Se você espera encontrar piadas e gracinhas a respeito da vida cotidiana, saia daqui e volte para o lugar de onde veio. Não é nada disso.

Tá, você resolveu continuar lendo. Tudo bem. Pode tentar se enganar a vontade. Não vai encontrar nada do que procura aqui. Eu não vou trazer a resposta para os seus problemas nem te ajudar a vencer na vida. O que você procura é um livro de autoajuda. Não isso aqui.

O que é isso aqui afinal? Também não sei. Acho que é um monólogo sobre a vida. (Ah! Agora você vai seguir meu conselho de sair daqui, né?!) Sobre como não se pode mais falar o que pensa sem ofender alguém. Sinto como se estivéssemos voltando para a era vitoriana, na qual todos se prendem a assuntos como o tempo e os outros. Sim. Enquanto estivermos falando da vida alheia, não precisamos nos preocupar com a nossa. Sei que parece óbvio, mas pense comigo: enquanto a vida alheia não envolve você, por exemplo, quando falamos sobre a bunda da mulher fruta ou o absurdo dito por alguém num programa de tv, não estamos fazendo esforço algum. É fútil, é fácil. É conversa de elevador – coisa rara hoje em dia, já que não falamos nem mesmo com nossos vizinhos.

Reparei que não falar com os outros está virando moda. Ou será que sempre foi? Gente que fala com todo mundo é cheia de predicados negativos. Aquela pessoa que não fala com ninguém é refinada, educada e seletiva. Quando muito, dizem que é arrogante – o que, sejamos sinceros, também está virando moda. Outro dia reparei isso no meu cachorro (isso mesmo). Eu acho ele super fofo, lindo e perfeito. Por quê? Bem, ele não late, não incomoda, não me estressa. Pensando bem, eu gosto dele, porque não se parece nada com um cachorro. Acho que o mesmo tem sido aplicado às pessoas: preferimos aquelas que não se parecem com pessoas de verdade. Porque pessoas de verdade fazem muita besteira, são cheias de defeitos e celulite. Entendam, não é que eu ache ou deixe de achar qualquer coisa. (Haters gonna hate, né?) É uma constatação. Não existem mais exemplos reais. Humanos sempre cultivaram esse hábito de adorar coisas inexistentes, porque se não existem, não têm defeito. Sempre almejamos à perfeição. Pensando bem, pode até ser uma forma de manter-nos em movimento: se nunca chegarmos lá, nunca pararemos de tentar. E chegar “lá” não dá lucro, mas tentar dá. ;) Tá, não é esse caminho que eu quero seguir.

Outro dia li um conto do Asimov que falava sobre como as piadas não têm origem humana. Ninguém sabe quem inventou a piada. O fazer rir. Por que a gente ri? (Porque é engraçado não é reposta). No conto, a conclusão que chegam é que as piadas foram implantadas por inteligências alienígenas para testar os humanos. As melhores piadas envolvem a desgraça alheia. Pense bem. Faz sentido. E aí? Bem, acho (essa parte não está mais no conto, ok?) que os primeiros sintomas controversos do experimento acontecem quando os humanos deixam de rir das piadas e passam a se ofender. Quando foi que a reação mudou? A graça sempre esteve em não levar a sério. Sempre fomos inteligentes o suficiente para diferenciar uma piada de uma crítica real. Quando foi que viramos robôs ultrapassados? Acho que até um iTreco da vida consegue entender isso. (Não ficaria surpresa se realmente conseguisse).

Enfim, em algum momento na história nos tornamos um bando de convencidos e arrogantes. Ou será que sempre fomos?

(“…you’re so vain, I bet you think this song is about you, don’t you?...”)


1 Comments


Muitas questões. Mas a idéia do cachorro que não parece cachorro e gente que não parece gente é boa. Já li esse conto do Asimov e como você falou o humo é uma experência. Talvez um dos nossos problemas hoje seja o politicamente correto.
Um abraço moça.

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