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02.10.09 - O dia que me senti num filme

Posted by Stella on 11:34 in ,

Ontem estava andando até a clínica pra pegar o resultado do exame de sangue e, de repente, senti uma sensação de leveza que eu não sei explicar direito. É como se em algum instante entre os segundos alguma coisa tivesse deixado meu corpo e ali permanecesse um vazio agradável. E quando me dei conta dessa sensação tudo ficou claro, assim, o tempo pareceu mais claro. O que foi muito estranho. Porque sabe quando um personagem em um filme tem uma idéia genial e um poste acende? Ou as árvores de natal ligam os pisca-piscas? Pois foi assim que eu senti.

Continuei até a clínica e peguei o resultado. Descobri que minha tática genial de parar de comer açúcar porque achava que podia estar diabética ou coisa assim não foi tão genial after all. Mamãe diz que eu posso ser considerada hipoglicemica, ou seja, estou consumindo menos açúcar do que deveria. Então, podemos concluir que eu tenho que comer açúcar para minha saúde. Isn't that ironic?

Cheguei atrasada na faculdade, mas por algum motivo eu não estava preocupada. E quando cheguei na sala descobri que nem a professora tinha chegado ainda. Como eu sabia? Será que eu sabia? De repente, naqueles segundos estranhos que tinham passado, a nuvem negra que andou me perseguindo resolveu dar uma voltinha e o mundo ficou um pouquinho mais bonito. Fiquei com vontade de rir, o que na minha condição de pessoa à beira de um ataque de nervos, foi uma coisa muito boa. Até aí, não entendia direito o por que.

O dia passou e eu peguei o ônibus. Paguei, sentei, abri a mochila e peguei "A Felicidade Conjugal" de Tolstói pra terminar de ler. É então que dou de cara com a seguinte passagem:

Mas, em compensação, como tudo me parecia claro e simples quando, largando esse livro, eu passava a meditar sobre o mundo que me rodeava! Parecia-me que viver mal era difícil, enquanto amar a todos e ser amado era fácil.

Eu só sei que neste instante pensei que isso tudo estava tão irônico, tão perfeitamente ligado, que mais parecia coisa de filme. Dessas que não acontecem de verdade. Naquele instante eu entendi que o meu estado é uma escolha minha, que por mais que tudo esteja dando errado, algumas coisas podem dar certo. É claro que aconteceu alguma coisa comigo naquela manhã, mas estou quase certa de que pode voltar a acontecer outra vez, quando eu estiver precisando tanto quanto estava.

Cheguei em casa e fui estudar pra um trabalho que tinha que fazer. O livro era "Self-reliance" de Ralph Waldo Emerson. Pra quem não sabe, self-reliance significa "auto-confiança" ou algo parecido. Digamos que era um livro de auto-ajuda do final do século IXX. rs De acordo com a filosofia dele, uma pessoa não deve buscar a completude nas coisas materiais e externas, somente dentro de si mesmo e naquilo que sua própria mente pode produzir. Lembrei do meu livro que ficou parado e esquecido. Andei dando tanta importância pra coisas efêmeras, que não duram, que esqueci daquelas onde eu posso deixar algo de mim, que vai estar sempre ali.

Talvez meu mau humor corrente seja apenas um fruto da minha mente perturbada por todas as coisas externas e sem importância sobre as quais eu andei me apoiando. De vez em quando a gente tem esses lampejos. Alguns só os têm poucas vezes na vida. Então é bom aproveitar, né? Nem que seja num post do blog.

Espero que vocês continuem me lendo, porque eu não sou assim sempre, apesar dos palavrões. :)

7 Comments


Sua felicidade entre letras passa um gostinho tão bom :~
Todo esse vício da humanidade de buscar a felicidade a qualquer custo e manter-se de alegria aparente sempre me deu no saco. Mesmo sendo algo íntimo e extremamente pessoal para cada um, para mim a felicidade pode ser encontrada em dias de ir ao dentista, de comprar um ovo de páscoa, gargalhar comendo pipoca. Coisa de momento, substância.
Quero ver você sorrindo mais. Sorria melhor.


\o/ agooooraaaa siiiiim!!!!
Bom te saber bem!
te amo muito!
Bjs


É, a vida nos dá vários toques quando precisamos. Pena que nem sempre percebemos, ou aproveitamos. Bom saber que vc percebeu.
Bjs


Visita o meu blog e diz o que achaste...
Espero que gostes :)

beijinhos


tão bom se sentir assim.
eu fico imaginando o que é a nossa vida. se sou uma personagem de um filme, um livro, uma imaginação. se dou poeira no espaço ou se sou alguém muito importante. hahaha eu viajo.
gosto mais ainda dessas "coincidencias" meio místicas.. hmmm *pensando* depois vou te emprestar um livro, ok?
bjo gata! ;**


É bacana quando essas coisas acontecem...
Posso não comentar sempre...mas vou continuar lendo...bjus.


Intensa reflexão.

E não é coisa de filme, mas sim coisas da vida :D

Bjs

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