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Isso não é autobiográfico

Posted by Stella on 22:35 in
Helena R. Freitas era uma mulher inteligente. Todos sabiam disso porque ela lia muito e falava bem. Ela era uma quase-balzaquiana e não gostava de ver televisão. Helena, na verdade, era do tipo de pessoa que não se conhece completamente. Porque ela falava demais e não dizia nada. Todo mundo achava que conhecia Helena e esse era o erro de todo mundo. E ela sabia disso e aceitava isso, porque era assim que tinha que ser. O segredo de ser aceito como se quer é deixar que os outros estejam distraídos. E isso ela fazia com a maior destreza.
Só que um belo, não... esquece o belo. O dia não era belo coisíssima nenhuma. Só que um certo dia, uma pessoa olhou pra ela e não gostou. E disse umas verdades e disse que ela era dissimulada, mais um monte de absurdos! E desafeto é coisa com que não se brinca. É que nem piolho. Mas Helena que sabia de tudo não sabia disso. E deixou pra lá. Mas as pessoas foram mudando, foram percebendo quem ela era. Não estavam mais distraídas. Agora ela estava ali, exposta. Nem ela sabia muito quem ela era, mas os outros sabiam. Ela era uma dissimulada.
Helena R. Freitas não tinha mais crédito com ninguém. Ninguém queria conversar com ela, porque tudo acontecia com um pé atrás. Certa vez, uma colega de trabalho saia do prédio com ela e disse: "Heleninha, vou voltar porque estou muito apertada! Você pode ir na frente!" Coitada. Heleninha perdeu a sagacidade e acreditou na moça. Foi andando devagar, vai que a outra consegue ainda alcançá-la!? Afinal, companhia é sempre bom. Principalmente nesses tempos estranhos. Mas a moça não chegava. Até que quando ela finalmente chegou no ponto de ônibus, quem é que estava lá? A colega de trabalho! Que na mesma hora que viu Heleninha se aproximando se fez de sonsa e saiu andando pro outro ponto.
Helena R. Freitas pode ter sido ingênua, mas não era burra. Ela entendeu logo tudo. A moça não queria era a companhia dela. Que safada! Era só ter dito... não. Não ia adiantar. Seu segredo foi descoberto e agora ela não sabia mais como agir. Uma profissional como ela, tendo que se rebaixar a sentimentos de uma adolescente... não. Ela era mulher feita e tinha que lidar com essa situação como toda mulher feita deve fazer: ignorar e relevar.
Daí em diante não interessa mais. Tudo que se segue é uma mentira. Se é que não era desde o início. A vida é uma farsa. E a tragédia é que estamos presos nela.

2 Comments


Dan Barros disse...

quem é essa tal helena? pode ser eu.. ou voce.. q medo! rs


Helena R. Freitas é ela mesma. Assim como todo mundo. Por isso a gente às vezes se confunde. :)

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