2

Prohibere

Posted by Stella on 15:31 in ,
O que dizer sobre as coisas que não queremos dizer?
Existe ainda algo a ser dito? Penso nisso como um assunto proibido.

Quando eu tinha uns 8 anos, estudava numa escola católica de freiras. Tínhamos aula obrigatória de religião e aprendíamos a rezar e ficar comportados na igreja - que era dentro da escola - sentadinhos como santos. Falar palavrão ou ter qualquer outra conversa impura, era assunto proibido, correndo o risco de ficar de castigo na sala da Irmã Maria. Eu tinha muito medo de todas elas, mas não resistia. Passava o tempo todo pensando em assuntos relativos a desenhos animados, livros, brincadeiras, o que eu ia fazer naquela tarde, o que ia comer no recreio... Quando ela me via, perguntava sempre: "Stella, por que não está rezando?" e eu balbuciava alguma coisa em voz baixa e ela logo pensava que eu estava rezando de novo.
Será que eu vou pro inferno por isso? Ah, eu nem sei se existe inferno.

Sabe o que deveria ser proibido? Impedir que pense.
Somos impedidos de pensar, de dizer o que queremos.
Não existe mais liberdade de expressão! (alguma vez existiu?)
Não falamos o que pensamos, mas o que gostaríamos que os outros pensassem que pensamos.
Confuso, uh!?


Alteração de consciência (continuação do conto)

Parecia mais uma terça-feira como as outras, ainda não havia acontecido nada especial. Isto era esperado. Isto?
Ela se levantou da cadeira que ficava de frente para o computador e olhou pela janela. Todas aquelas pessoas e nada na cabeça. Delas?
Aqueles pensamentos estavam confundindo-a e a sensação de peso aumentando. Ela precisava respirar. Colocou o tênis e um casaco. Saiu na noite como um animal perdido que fugia de casa. Com as mãos nos bolsos e os olhos fora de foco ela procurava alguma coisa que chamasse atenção... não, não era o letreiro um letreiro em neon.
Ela correu até o outro lado da rua e entrou numa lanchonete. Pediu um café - lembrou que não tinha nenhum em casa. Enquanto esperava, não erguia a cabeça. Até que percebeu estar sendo vigiada. Olhou para trás com um movimento repentino e não viu ninguém.
De repente ela queria estar sendo perseguida.
Tomou o café e voltou pra casa. Antes de entrar viu a lixeira caída com o gato lá dentro, trouxe mais um amigo. Ela suspirou e entrou em casa. Apagou as luzes e ligou o rádio.
Grito.

2 Comments


Junior disse...

Não imagino você num colegio católico... Nunca fui alguem muito ligado assim, lavagem cerebral para ser mais exato. A preocupação era maior em mostrar o mundo religioso do que a devida atenção para as puras crianças.



sequelei? quem sabe...



To gostando do conto, impossivel ler ele e nao começar a montar um imenso quebra-cabeças na minha mente.




;*


Anna =) disse...

Amei stella

essa coisa católica é foda

"Religião é o ópio do povo..."

Karl Max

certissimo sempre

beijo e eu to de blog tb =)

adouro

Copyright © 2009 Wild About My Stuff All rights reserved. Theme by Laptop Geek. | Bloggerized by FalconHive.