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11.08.16 - Resenha de "Cidade Em Chamas" de Garth Risk Hallberg

Posted by Stella on 15:11 in ,
Cidade Em Chamas é o primeiro livro do autor Garth Risk Hallberg e foi publicado em Outubro/2015 pela editora Alfred A. Knopf. No Brasil, ele foi lançado em Abril desse ano pela Companhia das Letras, na tradução de Caetano Waldrigues Galindo.
Primeiramente, gostaria de enfatizar o quão caprichosa está essa edição brasileira. Os detalhes da capa são lindíssimos e o cuidado com as páginas dos interlúdios (sobre as quais falarei mais adiante) é notável. Por ser um livro bem longo - 1048 páginas - o design do livro faz muita diferença. Se as páginas não fossem confortáveis de ler ou a capa fosse dura, seria praticamente impossível lê-lo em menos de um ou dois meses. Não que o mesmo seja cansativo, mas exige certa dedicação e imersão por parte do leitor.

"...O que me parece é que, basicamente, a gente é um alienígena largado num planeta hostil, com uns habitantes que estão o tempo todo tentando você, pra fazer você confiar neles." (p.267)

O cenário é a cidade de Nova York no final dos anos 70. Mais especificamente na virada de '76 para '77 e daí em diante. No primeiro capítulo somos apresentados a Mercer, o namorado de William (ou Billy III/"três paus"), que está fazendo todo o possível para criar uma atmosfera de Natal agradável para seu companheiro. O problema é que William não parece tão investido nesse feriado quanto Mercer. Este, é um professor de uma escola para meninas, negro, homossexual, vindo de uma cidade pequena. Mercer está buscando fazer parte desse mundo. Tudo que ele parece querer é se encaixar. Em contrapartida, William é um artista punk incompreendido, usuário de drogas, poeta, descendente de uma abastada família. Tudo que ele quer é escapar. Esse é o primeiro choque do livro. O choque de dois mundos, dois desejos diferentes. Duas pessoas que, apesar de juntas, estão há quilômetros de distância de conseguir se entender. Aos poucos, somos apresentados a outros personagens: Charlie, Sam, Keith, Regan, Pulaski, Richard, Jenny, Will. E, através deles, temos o desenho de uma época. Por vários ângulos diferentes. E todos estão, mesmo sem saber, ligados de alguma forma. Os nomes que citei são de personagens que tem capítulos próprios, mesmo que sempre em terceira pessoa. O único momento em que eles tem voz é nos interlúdios, onde podemos ver trechos da fanzine escrita pela Sam, ou a reportagem sobre fogos de artifício do Richard, ou a carta que o pai do William escreveu pra ele.
Esse é um livro longo, porque leva tempo para conhecer alguém. O autor queria que conhecêssemos a cidade de Nova York através dessas vidas. Fictícias e, ainda assim, tão reais.

"E por que amar as coisas se você estava destinado a perder? Por que se permitir sentir se os sentimentos não podiam deixar de morrer? (E numa outra frequência distante: será que era possível que a unidade básica do pensamento humano não fosse a proposição, mas a pergunta? Qual era o conteúdo lógico de uma pergunta?)" (p.503)

Tentei montar um diagrama das relações entre os personagens do livro, mas isso se provou mais complicado do que pensei de início. Quase todos se encontram em algum momento. Todos os caminhos levam a Roma, que no caso de Cidade Em Chamas, é o dia do Blecaute de 77. Ele aconteceu durante o período de 13-14 de Julho e afetou quase toda a Nova York. A história desse livro culmina nesse evento. O autor cria possíveis razões para os incêndios que aconteceram no mesmo período, relacionando-os à especulação imobiliária e gerando um vilão: o homem corporativo. Ele surge no personagem Amory Gould, irmão da madrasta de William. Também é conhecido por grande parte das personagens como Irmão Demoníaco. Realmente, o apelido não poderia ser melhor. Ele faz coisas abomináveis durante toda a história e afeta negativamente todos a sua volta. No entanto, o livro não deixa claro quais seriam suas reais intenções. Ou deixa. Ou eu que não entendi.
Dos pontos que me agradaram na leitura, as referências à música da época, artistas, clubes, foi o que mais me chamou atenção. Tem um capítulo dedicado aos Hell's Angels de NYC que me deixou com vontade de saber mais sobre eles. Além disso, tem uma "conversa" entre a Sam e a voz de Patti Smith na música "Horses" que também ficou muito boa. O retrato da época é, definitivamente, a melhor parte do livro.
O que não me agradou muito foi o final. Para não dar spoilers (afinal, se você resolve enfrentar todas as páginas desse livro, é muito injusto que eu revele o final), pode ter relação com meu gosto pessoal, mas esperava algo mais sombrio. Além disso, a narrativa ficava bem arrastada em alguns momentos, talvez por se repetir demais para tentar fazer com que o leitor "realmente entenda" o que se passa com cada personagem. Acho que isso poderia ter sido resolvido de outra forma, como deixando os capítulos em primeira pessoa. No entanto, talvez tirasse um pouco do impacto dos interlúdios, únicas partes do livro em primeira pessoa. Alguns já adiantam o que vai acontecer no futuro, o que pode tirar o suspense da cena do blecaute. Também achei que havia referências religiosas demais no livro. Em alguns pontos, chegou a ser forçada.

"Escuta, você sabe como um falante de zulu cumprimenta outro falante de zulu?[...] Eu fiquei sabendo disso recentemente, e a coisa me pareceu insanamente linda: a palavra pra oi ou tchau em zulu literalmente significa 'eu estou vendo você'. E a resposta é 'eu estou aqui'." (p.719)

Em suma, o livro me pareceu ser sobre pessoas que se afastam quando querem se aproximar. Pessoas que se perdem, tentando encontrar significado pra vida. Pessoas que vivem numa cidade que ou engole ou cospe você. O livro mostrou uma Nova York feita de pessoas fictícias, mas reais. E, afinal, não somos todos?

Ah! O Netflix vai lançar este mês uma nova série chamada The Get Down, também sobre NY nesse mesmo período. Só que por outro ponto de vista. Recomendo para os que gostaram da leitura de Cidade Em Chamas.



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12.07.16 - "Em Algum Lugar Nas Estrelas" de Clare Vanderpool

Posted by Stella on 14:54 in
Este livro fala muito sobre ligações, então imagino que a autora não se incomodaria se eu fizesse minhas próprias conexões aqui. Durante a leitura, várias outras obras me vieram a cabeça, desde outros livros a filmes. Em parte, foi isso que me motivou a vir aqui tirar a poeira do blog. Não sei quão boa ou eficiente é essa resenha, no entanto, como falei com uma amiga antes de dar início da leitura deste livro, escrever sobre o que li é uma maneira de organizar meus pensamentos. Ou como Early, personagem do livro, escrever é meu pote de balas de goma.

Primeiramente, Em Algum Lugar Nas Estrelas foi publicado em 2013, nos EUA, pela Delacorte Books for Young Readers e em 2016, no Brasil, pela DarkSide. O livro foi vencedor da Newbery Medal, que premia o autor da mais distinguível contribuição à literatura americana para crianças. Mas não se engane, este não é um livro bobinho. Você pode tirar lições dele independente da sua faixa etária. Claro que pré-adolescentes podem se identificar muito mais com os personagens por estes terem 13 anos, mas quem nunca teve 13 anos?
Lemos aqui um romance de formação: um jovem em crescimento aprendendo a lidar com o mundo a sua volta e terminando por se tornar alguém mais maduro, que reconhece sua posição e a daqueles que o cercam. O protagonista lembra muito Holden Caufield (Apanhador no Campo de Centeio) no caráter. Há momentos em que ele é tão egoísta e egocêntrico que fica difícil simpatizar com o menino. Mas é aí que, na minha opinião, a autora ganha de Salinger. Diferente de Holden, o protagonista de Vanderpool entende que precisa mudar de atitude. Ele não passa o livro inteiro sendo um menino mimado. Ele erra. Muito. Mas também tenta consertar. Ele tenta se tornar alguém melhor e aprender com os outros. Mesmo que, em um primeiro momento, desmereça a opinião do Early por este não preencher os pré-requisitos de alguém que sabe mais que ele. Ele cresce ao longo da narrativa. Ele aprende a abrir sua mente e ver que há mais nas coisas e nas pessoas do que aquilo que elas mostram ao mundo. Vejo Jack como um tipo de Charlie Brown, o every boy da cultura americana. Ele não é especial. Ele não é o melhor em nada. Ele não tem opiniões muito fortes e não sabe vencer um debate. Ele não ganha a corrida. Ele não é nem o verdadeiro protagonista dessa história. Só que quando ele entende isso, tudo muda, ele percebe que é o narrador da história e que seu papel é essencial.
Early Auden é um menino estranho, peculiar, esquisito, diferente (só porque ele precisa dar sinônimos para todo adjetivo que usa... rs).Este é um personagem que aparece pela primeira vez empilhando sacos de areia na praia, como se quisesse conter o mar. Você pode estar pensando: "Ele é bem maluquinho, né?" - E se eu te disser que não? Early vê o mundo pelos olhos de uma criança muito especial. Ele é sinestésico, o que significa que ele pode associar duas ou mais habilidades cognitivas, como a visão e o olfato. Os números tem cheiros e cores para ele. Na série The Librarians, a personagem Cassandra Cillian também é sinestésica e você sente como se isso fosse um tipo de superpoder. Os números são mais tangíveis, eles contam uma história. Isso acontece com algumas pessoas autistas - mas em momento algum a palavra é utilizada no livro. A autora afirma que na época em que se passa a estória, 1945, não se falava muito sobre isso e a maioria dos autistas não eram diagnosticados. Portanto, ela pede que não olhemos para ele como a representação de um menino autista, e sim como um personagem único e brilhante. 
Uma forma de aproximar o leitor do personagem é através do nome. Em inglês, utiliza-se o sufixo -y ou -ie para criar diminutivos. Ao adicionar o -y no final do nome Earl, a autora faz com que fiquemos mais íntimos do personagem. Ela chama atenção pra isso quando o próprio usa desse artifício chamando o narrador de Jackie (ao que ele, surpreso, reage com nervosismo, pois era assim que era tratado pela mãe). Outra função do diminutivo aqui é trazer os personagens de volta a infância que parece estar se perdendo. Quando estamos nessa idade, 13 anos, sentimos a infância ainda muito presente, ao mesmo tempo que há essa urgência em crescer. Sinto que Vanderpool, belamente, nos lembra de voltar a ver o mundo através dos olhos de uma criança antes de continuar a história.
Enfim, voltando ao Early, este possui habilidades admiráveis que impressionam todos a sua volta, especialmente Jack. Este fica embasbacado cada vez que menospreza a capacidade do Early de realizar alguma tarefa por causa de sua condição diferente. Jack demora a entender que, não é porque alguém experimenta o mundo de outra forma que esta pessoa não sabe o que está fazendo. Early sempre sabe o que está fazendo. Mas ele fica feliz em ter alguém com quem compartilhar tudo isso. É graças a ele que a narrativa avança, que o mundo fantástico entra na estória e introduz piratas, vulcões, baleias brancas e ursos falantes. Tudo isso para interpretar o mundo de um jeito mais bonito. Early deixa o mundo mais bonito para o leitor. Outra parte importante dessa narrativa é a trilha sonora. Sim, Early dá ao leitor a possibilidade de experimentar os dias da semana com música. Ele organiza o tempo com som, mesmo quando é só ruído branco. Recomendo ouvir os artistas citados. Pause cada vez que começa a chover no capítulo e ouça Billie Holiday. Quando eles mencionam dias da semana, consulte a listinha do Early e ouça o artista indicado - ou não ouça nada, porque tem dias que não tem música. É uma experiência sensorial, além de deixar o leitor imerso na obra. Minha vontade é levar a trilha sonora do Early pra vida.
Por fim, as estrelas. Na belíssima edição brasileira elas estão em todo lugar: na capa, no início de cada capítulo, entre partes do texto... Isso porque a busca dos personagens é guiada pelas estrelas. Estas tem um papel fundamental em definir o tom, a atmosfera e o humor de cada momento do texto. Sempre que um personagem sente-se muito triste ou perdido, ele não consegue enxergar as estrelas. Sempre que há esperança, ele olha para o céu. Os olhos de uma amada são comparados a duas estrelas. As ligações entre todas as personagens também. A autora metaforiza o céu estrelado para ilustrar que, por mais que estejamos há milhas de distância, ainda fazemos parte de uma mesma constelação. Achei muito tocante a ligação entre Jack e seu pai com as estrelas. É quase impossível evitar aquela imagem do Simba conversando com um Mufasa feito de poeira de estrelas em O Rei Leão.

Todo o livro de Clare Vanderpool tem um caráter muito poético e uma estética muito delicada. Recomendo para todas as almas sensíveis e para aquelas que endureceram com o tempo e precisam lembrar de como era ser criança. O que me lembra muito Oceano No Fim do Caminho, do Neil Gaiman. Early Auden é a Lettie Hempstock de Clare Vanderpool. Ambos guiam o protagonista narrador e deixam o mundo um pouquinho mais mágico.

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27.11.15 - Golem e o Gênio

Posted by Stella on 17:27 in ,
Terminei de ler hoje o livro Golem e o Gênio, que foi super bem recomendado. Por causa dessa leitura (e porque calhou de eu ter tempo), resolvi voltar a escrever aqui no blog. Yay! :)
Este livro conta várias histórias ao mesmo tempo, como se a autora estivesse costurando uma colcha de retalhos. Num primeiro momento, você pode até ficar confuso, imaginando aonde ela quer chegar com tudo aquilo, mas fique certo, ela chega a algum lugar. E faz isso muito bem. Helene Wecker consegue amarrar com a precisão de uma golem e a criatividade de um djim todas as histórias que inicia neste livro. Não tem essa de plots abandonados.
Tudo começa quando um homem péssimo e rico resolve que precisa de uma esposa. O problema é que ninguém quer casar com ele (duh, ele é péssimo). Daí que dentro da tradição mística judaica existe essa criatura chamada golem, que é feita de barro e criada para servir a um mestre. O golem é feito para ser obediente e atender a qualquer desejo do seu mestre, seja ele qual for. No entanto, o maior problema dele é que, caso seja direcionado à violência, ele não consegue se controlar. Pode começar a ter um ataque de fúria e precisará ser destruído. Pois bem, esse homem horrível do início da história, acha que um golem poderia virar uma ótima esposa. Pois é. Ele vai até um feiticeiro e faz sua encomenda. Esse é o início do plot da Golem.
Ao mesmo tempo, temos um outro plot acontecendo na Pequena Síria, na Nova York de 1890. Arbeely é um ferreiro cheio de problemas que recebe uma encomenda para consertar uma molheira. Ao começar a trabalhar nela, desperta o djim (ou gênio) que se encontrava preso dentro da mesma. Completamente desnorteado e sem poder sair dali, o djim começa a trabalhar para Arbeely como seu assistente. Só que, de acordo com a cultura árabe, um djim é um ser livre e inconsequente. Ele precisa de mais do que aquilo oferecido pelo homem, só que ele está preso a essa forma humana até encontrar uma maneira de desfazer o encanto que o prendeu. E esse é o início do plot do Gênio.
E aí tem a história de Fadwa. Uma beduína de vida simples que um dia encontra um palácio maravilhoso no meio do deserto, que some após alguns segundos.
E como tudo isso pode ter alguma relação, você me pergunta. E eu respondo: leia o livro.
É uma leitura que começa devagar, por isso é necessária muita paciência, gafanhoto. Mas depois que a história te envolve, é um caminho sem volta. Os personagens são encantadores e a linguagem bem fluida.
Gostei bastante e recomendo também. :) Presentão de Natal, hein. Só dizendo! ;) Além de tudo que falei sobre o conteúdo, a edição brasileira feita pela editora DarkSide Books ficou MA-RA-VI-LHO-SA. Sério. Várias vezes parei de ler pra ficar admirando a capa. <3 i="">

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18.06.15 - Como assim passaram tantos meses?

Posted by Stella on 21:53 in ,
Da última vez que escrevi no blog eu estava feliz porque (finalmente) alguma coisa legal resolveu acontecer. E por 'legal' eu quero dizer diferente. Chega um momento na vida em que se nada diferente acontece, você começa a pensar besteira. ENTÃO, o universo conspirou a meu favor e eu consegui um emprego novo num lugar onde eu sempre quis trabalhar (YAY!). Passei os últimos meses me adaptando a essa nova realidade de trabalhar de manhã e de noite todo dia. E a coisa está tensa. Fico doente quase todo mês, não estou me alimentando bem, não tenho tempo de fazer exercícios e, consequentemente, li menos também.
Isso não tem nada a ver com o emprego novo. Tem a ver com a rotina nova. Comigo estando exausta e percebendo que terei que tomar decisões pra resolver isso. E todo dia eu adio essa tomada de decisão. Ou eu tomo uma decisão à noite e de manhã já voltei atrás. Tá difícil.
O que melhorou foram as leituras. Esse mês consegui engatar alguma coisa de novo. Desde a última postagem já li bastante coisa:

- 1Q84 (Book 2 e 3), Haruki Murakami
- The Last Summer of Reason, Tahar Djaout
- All The Bright Places, Jennifer Niven
- O Fantasma de Anya, Vera Brosgol
- The Illustrated Man, Ray Bradbury
- Os Lobos Dentro das Paredes, Neil Gaiman
- A Autobiografia Interativa, Neil Patrick Harris
- Miss Peregrine's Home For Peculiar Children, Ransom Riggs
- Me, Earl, and the Dying Girl, Jesse Andrews
- Vicious, V. E. Schwab
- Clockwork Angel, Cassandra Clare
- Seconds, Bryan Lee O'Malley
- Selva de Gafanhotos, Andrew Smith
- The Final Empire, Bradon Sanderson ❤ ❤ 
- The Well of Ascension, Brandon Sanderson ❤ ❤ 
- Chobits #1 (manga)
-  Unwind, Neal Shusterman
- A Court of Thorns and Roses, Sarah J. Maas
- The Winner's Curse, Marie Rutkoski ❤ ❤ 
- Trigger Warning, Neil Gaiman
- iZombie (comics)

E no momento estou lendo:

- A Darker Shade of Magic, V. E. Schwab
- Aristotle and Dante Discover the Secrets of the Universe, Benjamin Alire Saénz
- Neuromancer, Willian Gibson

Estou com uns livros parados, mas que no Skoob consta que ainda estou lendo:

- Dance, Dance, Dance, Haruki Murakami
- A Scanner Darkly, Philip K. Dick
- Northanger Abbey, Jane Austen
- Six Novels, H.G.Wells
- Ulysses, James Joice
- Duna, Frank Herbert
- Tales of H.P. Lovecraft

Os outros dois (uma entrevista com Woody Allen e a biografia do Alan Moore) eu provavelmente não vou pegar esse ano. Já tenho várias coisas pra ler e comprei MUITOS livros também. Não vou nem colocar a lista porque o negócio é frenético.

Bem, pretendo terminar o A Darker Shade... e Aristotle and Dante... ainda esse final de semana. Daí vou poder me dedicar inteiramente ao Neuromancer, porque vai ter encontro do Vórtice Fantástico no final de semana que vem. :)

E é isso aí.
Um beijo!

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06.02.15 - :)

Posted by Stella on 07:24 in


E quando eu achava que tudo estava mal, eis que aparece uma luz. :)

Muito feliz com essa nova etapa na minha vida. \o/
Se você é muito fofoqueiro e quer saber o que estava me chateando, é só ler o post anterior. rs

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01.02.15 - Resumo de Janeiro

Posted by Stella on 12:02 in , , , ,
O primeiro mês do ano foi até bem agitado, mais do que eu esperava.
No sentido de trabalho, dei mais aulas que o normal, porque um dos meus alunos particulares marcou mais aulas do que geralmente marca, ou seja, mais trabalho. rs But no problem.
Também andei repensando muitas coisas nessa área da minha vida, acho que tenho estado decepcionada com o trabalho, com as pessoas no geral. Sabe aquela sensação de querer sair correndo e largar tudo? Só que, infelizmente, não é assim tão simples. Outras pessoas dependem de mim e eu não sei se conseguiria viver sabendo que simplesmente deixei essas pessoas na mão. Mas há dias que penso que sim. Isso faz de mim uma pessoa muito ruim?
Também assisti muitos filmes esse mês. Só que não mantenho tipo algum de sistema de organização pra lembrar tudo que vi (diferente dos livros). Sei que gostei bastante de A Teoria de Tudo, por causa da atuação do Eddie Redmayne. Acho que vale a pena assistir, com a única ressalva sendo a forma como a Jane é retratada. Ela escreveu o livro, então dá pra perceber que ela se coloca numa posição de santa imaculada o tempo inteiro. Não acho que deva ter sido exatamente assim. Enfim, tirando isso, é legal!
Outro filme muito legal foi o Whiplash. É um filme breve, mas intenso. Nunca tinha pensado no jazz dessa forma. Achei super bacana! Os atores também são excelentes. Eles conseguem transmitir bem a intenção de ansiedade, dedicação e empenho sentida pelos personagens.
Assisti também Maze Runner. O Gabriel adorou. Eu fiquei reclamando do protagonista o tempo inteiro. Mas acho que é típico de Y.A. ter esse herói que faz escolhas idiotas constantemente, mas por ser o herói, você sabe que ele vai dar sorte e conseguir se safar no final. Eu preciso aprender a avaliar as coisas dentro do gênero delas. Porque dentro do Y.A., Maze Runner é MUITO BOM. Mas no geral, é só okay. Pelo menos pra mim.
Assisti outras coisas também, mas não consigo lembrar de tudo. Em sua maioria foram chick flicks bem medíocres, mas que por algum motivo, eu gosto de assistir de vez em quando. É. Simples assim.
Também comprei muitos livros esse mês. Mais do que eu gostaria de ter comprado. Estes foram:

- Box Gabriel Garcia Marquez (Cem Anos de Solidão; O Amor Nos Tempos do Cólera; Crônica de Uma Morte Anunciada)
-  Pictures That Tick (Volume 1) e Pictures That Tick (Volume 2) do Dave McKean
- A Long Way Down - Nick Hornby
- Foras da Lei... - Vários Autores
- Sandiliche - Ronaldo Bressane
- Frankenstein - Mary Shelley
- Budapeste - Chico Buarque
- The Girl With the Dragon Tattoo - Stieg Larsson
- The Girl Who Played With Fire - Stieg Larsson
- The Girl Who Kicked the Hornet's Nest - Stieg Larsson
- And Then There Were None - Agatha Christie
- O Clube do Suicídio - Stevenson
- O Lobo da Estepe - Hermann Hesse
- Vermelho Amargo - Bartolomeu Campos de Queirós

Então... destes eu já li alguns. Abaixo segue a lista das leituras de Janeiro.

- Retalhos - Craig Thompson
- Cartas do Papai Noel - JRR Tolkien
- Fantasmas e Viagem no Tempo HQ - Vários Autores
- Do Inferno - Alan Moore
- Sandiliche - Ronaldo Bressane
Pictures That Tick Vol. 1 - Dave McKean
O Jogo da Amarelinha - Julio Cortázar
Crônica de Uma Morte Anunciada - Gabriel Garcia Marquez
In Cold Blood - Truman Capote
Pictures That Tick Vol.2 - Dave McKean
1Q84 (Book 1) - Haruki Murakami
Vermelho Amargo - Bartolomeu Campos de Queirós
O Lobo da Estepe - Hermann Hesse (terminei hoje às 7h30 da manhã)

O Cartas do Papai Noel não está na foto
porque está emprestado. E O Lobo da Estepe eu terminei
depois de já ter tirado a foto.
Conclusão: até que eu fiz bastante coisa esse mês. Li muito também. Só que eu preciso parar de comprar livros. Ia tentar fazer aquele desafio "10 para 1", que consiste em ler 10 livros antes de comprar um novo. No entanto, pode-se perceber que eu nem tentei. Agora começa Fevereiro e vou tentar ler mais e comprar menos! Até porque tem Bienal em Setembro e eu preciso começar a juntar dinheiro. rs

Ainda no assunto livros, comecei um diário de leitura em papel. Já tinha um controle numa planilha no computador, além das redes sociais (Skoob e Goodreads), mas nem sempre entro pra atualizá-las. Fiquei umas semanas sem internet, o que não colaborou para que fossem feitas atualizações constantes. Minha irmã viajou para o Perú e me trouxe um caderno artesanal lindo. Não sabia direito o que faria nele, então resolvi que transformaria num diário de leitura. Postei as fotos no Facebook há um tempo atrás, quando comecei a fazer. Mas vou colocar a foto da capinha aqui do lado esquerdo da tela pra você ver como é lindo. Está sendo uma experiência legal. Todos os dias eu escrevo qual livro li e quantas páginas. Assim, fico sabendo quais foram os dias mais produtivos e quais dias eu não li muita coisa. 
Esse é o resumo de Janeiro.

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21.01.15 - 'In Cold Blood', Truman Capote

Posted by Stella on 09:45 in ,
Começo pedindo desculpas pela demora a postar. Desde o último post já li 4 livros – Sandiliche, Pictures That Tick Vol.1, O Jogo da Amarelinha e Crônica de Uma Morte Anunciada – preciso escrever sobre esses livros, mas ainda não organizei minhas ideias. Além disso, deixei o blog um pouco de lado nas últimas semanas porque está muito quente aqui no Rio de Janeiro pra sentar e escrever. (E eu não tenho ar condicionado, então não me julgue). Ler já foi mais fácil porque eu posso ler no metrô e no trabalho. :B
Depois das leituras que citei acima, li o incrível In Cold Blood do Truman Capote. Acabei de ler faz nem meia hora. Comecei na sexta-feira à tarde e terminei hoje, segunda-feira às 23:30, quando resolvi escrever esse post. Provavelmente você só vai ler isso depois da terça, já que estou sem internet em casa e tenho que esperar até quarta pra postar isso do trabalho. Enfim, o livro é tão bom que me motivou a tomar coragem de sentar nesse calor pra escrever sobre ele.
Trata de uma história real, um assassinato ocorrido em 1959 no Kansas. Uma família de quatro pessoas foi friamente morta e ninguém conseguia descobrir o que aconteceu. Tudo levava a crer que era um crime perfeito. Não havia pistas, motivo, nada que levasse as autoridades até os assassinos. Todo o mistério por volta desse evento levou Truman Capote a se interessar pela história, resultando nesse livro maravilhoso.
O livro se divide em quatro partes: The Last to See Them Alive (Os Últimos a Verem Eles Vivos), Persons Unknown (Pessoas Desconhecidas), The Answer (A Resposta), The Corner (O Canto – mas acho que uma boa tradução pra essa parte seria Encurralados, pelo significado do capítulo mesmo).
A primeira parte vai do início até a página 74 da minha edição (VINTAGE INTERNATIONAL EDITION, JULY 2012). Aqui o leitor é apresentado à família Clutter, as vítimas. A família é constituída por Herbert Clutter, sua esposa, Bonnie, e seus dois filhos, Nancy e Kenyon. O patriarca da família é descrito como um homem sério, porém pacífico e honesto. Ele é um ótimo chefe e muito querido por seus poucos amigos. Poucos porque ele não é exatamente uma pessoa fácil de agradar, é bem seletivo e intolerante com os vícios alheios. Sua esposa, Bonnie, é muito sensível e depressiva. Após ter dado luz a quatro filhos – duas filhas mais velhas, que não moram mais com eles, e os dois mais novos citados acima – ela passou a sofrer depressão pós-parto e ainda não se recuperou bem. É uma mulher um pouco nervosa, mas controlada. Sente-se inútil pelos filhos serem tão independentes dela. A filha, Nancy, é uma jovem perfeita. Ela possui todas as qualidades de uma digna Belle of the South. Sempre cuidando de todos e mostrando-se solicita e atenciosa. Apesar de vários compromissos ao longo do dia, ainda encontra tempo de ter um namorado, Bobby, com quem não vê muito futuro, apesar de gostar muito dele. Kenyon, o filho mais novo, é um rapaz sensível como a mãe e um pouco revoltado. No entanto, parece ser descrito como um bom menino no geral.
Os capítulos sobre a família são intercalados com capítulo sobre os assassinos, Dick e Perry, e como eles estão se preparando para o ataque a casa. Aqui, Capote vai apresentar essas pessoas e suas diferentes personalidades, sendo o primeiro mais impulsivo e convencido. Ele precisa contar vantagem o tempo inteiro, o que demonstra muita insegurança. Insegurança esta percebida pelo segundo, Perry, que demonstra maior sensibilidade e profundidade. Provavelmente a caracterização do Perry Smith se deve ao relacionamento próximo entre ele e Truman Capote. Imagino que isso possa ter influenciado o desenvolvimento maior dele na narrativa.
Toda esta primeira parte serve como contextualização do que virá em seguida e, também, como forma de humanizar todas essas pessoas (inclusive os criminosos). O leitor é mergulhado nesse universo sulista, nos momentos finais dessas vidas. É difícil não sentir certa empatia e pena por todos os envolvidos.
A segunda parte vai da página 75 até 155. Aqui conhecemos o detetive principal do caso, Mr. Dewey e também um pouco mais sobre o passado dos criminosos. Percebemos que da mesma forma que Capote vai construindo o caso, ele vai desconstruindo o emocional tanto do detetive, quanto do Dick e do Perry. Ele faz isso através de pequenos detalhes: escolha dos adjetivos, ordem dos capítulos, momentos que ele decide compartilhar sobre os indivíduos. Enquanto um capítulo mostra a falta de consideração e estrutura do Dick, o outro mostra sua imaturidade e certo grau de “”inocência””. O mesmo acontece com o Perry, o qual é descrito como o tipo de pessoa que chora quando ouve uma bela melodia ou assiste ao pôr-do-sol ao mesmo tempo em que não sente remorso algum em assaltar um loja ou planejar um assassinato.
Dewey tem basicamente o mesmo ponto de vista que o leitor. Ele quer saber o que aconteceu, como aconteceu e porquê aconteceu. Conforme o tempo passa e nada é descoberto, ele vai desenvolvendo um sentimento de impotência muito grande, coisa que também aconteceu comigo durante a leitura. Você sabe o que vai acontecer, que aquelas pessoas vão ser assassinadas, mas você não pode fazer nada a respeito. Ao longo do livro, essa impotência gera um desejo de vingança. Ele quer ver os criminosos pagarem, e assim também quer o leitor. Quanto mais adorável parecem as pessoas da família Clutter, mais você se revolta pelo que foi feito a eles.
Na parte três, que vai da página 157 até 248, temos o capítulo introdutório que já revela, finalmente, para os detetives quem são os assassinos e porquê eles foram para aquela casa especificamente. O delator é um presidiário chamado Floyd Wells, que esteve encarcerado junto ao Dick e que comentou com ele sobre esse fazendeiro muito rico no Kansas pra quem ele já trabalhou. Dick fica interessado e começa a fazer várias perguntas sobre a propriedade e a família. Floyd diz que deve ter um cofre na casa e Dick decide, então, ir até lá assim que conseguir a liberdade condicional. Neste momento, ele diz para Floyd que vai assaltar o cofre e não irá deixar testemunhas. Para tanto, ele entra em contato com um ex-companheiro de cela, Perry, que já está em liberdade condicional e avisa que tem um plano “de matar”.
O problema é que não havia cofre algum na casa. E, de acordo com os relatos dos vizinhos, também não havia dinheiro, já que Mr. Clutter não tinha o hábito de usar dinheiro vivo, apenas cheques. Então nessa parte é que começa realmente a busca pelos assassinos para tentar apreendê-los, conseguir uma confissão e, finalmente, o relato do que realmente se passou na casa. Isso não é fácil e leva bastante tempo.
Quando Perry e Dick são presos, ficamos sabendo do que aconteceu e eu realmente não queria dar spoilers do que acontece aqui e de como o leitor descobre o que aconteceu na casa, porque é o grande clímax do livro e acredito que saber como isso acontece quebra o ritmo e o impacto da cena. Basta dizer que é muito chocante e que o título passou a fazer muito sentido depois disso. É de uma frieza e desligamento impressionantes.
A parte final vai da página 249 até 343, onde termina o livro. Aqui acontece o julgamento, que me remeteu muito ao The Crucible, já que não existe defesa real, a comunidade já os condenou à forca (literalmente) e levá-los ao júri popular foi um teatro para agradar a sede de sangue da multidão. Não estou querendo dizer que eles não fossem culpados, eles confessaram o crime. Mas que aqui começa outra discussão: pena de morte, não seria isso também um crime? Os assassinos não recebem em momento algum o direito à prisão perpétua, isso porque seria fazer com que o dinheiro dos impostos estivesse sendo gasto com esses criminosos irrecuperáveis. O problema todo é que eles estão sendo condenados porque tiraram uma vida pensando só no dinheiro, mas tirar a vida deles por causa de impostos, não seria a mesma coisa? Não seria isso ter também “sangue frio”? Claro que não num mesmo grau, mas é algo a se pensar.
O livro termina com o detetive, Dewey, assistindo a execução dos assassinos e dizendo que ele pensou que este seria o clímax da história, que haveria algum tipo de gratificação pessoal. No entanto, tudo que resta é uma sensação de culpa (as mãos dele estão manchadas de tinta e achei uma ótima referência à ideia de que as mãos dele também estão “sujas”, ele também é responsável por tirar uma vida).
Este é um livro sensacional. A escrita do Capote, por mais que com um teor jornalístico muito presente, é absurdamente fluida. Ele narra os acontecimentos de uma forma bem envolvente e bem construída. Recomendo muito! 5 estrelas!

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04.01.15 - 'Do Inferno' de Alan Moore

Posted by Stella on 00:05 in ,
Desde a última postagem já li bastante coisa: Licor de Dente-de-Leão, Retalhos, Cartas do Papai Noel, Fantasmas e Viagens no Tempo e comecei a ler O Jogo da Amarelinha. (ufa!) Tudo isso em 5 dias! E hoje eu (finalmente) terminei o maravilhoso Do Inferno do mago das histórias, Alan Moore, que é sobre o que o post vai falar.
Este é um romance gráfico - que eu me recuso a chamar de "quadrinho", porque por algum motivo parece diminuir a qualidade da história, o espírito e zelo jornalístico posto nela. O livro tem 592 páginas e foi publicado pela primeira vez em 1989. Aqui no Brasil, eu li a edição traduzida da Editora Veneta, publicada em 2014. Este livro vai narrar os eventos em torno da história do Jack, o Estripador, que ocorreram em Londres em 1888. Ele foi ilustrado por Eddie Campbell, que fez um trabalho sensacional todo em preto e branco.
A grande diferença desse livro é o tom dado por Moore. Assim como em outras obras, ele não somente conta a história, como o faz de uma forma muito didática. Durante a leitura dos capítulos, eu sentia como se estivesse assistindo a uma aula. Todo o desenvolvimento do personagem do assassino é feito de uma forma que ele se torna assustadoramente hipnotizante. Moore escolheu como seu assassino a versão que acusa o famoso cirurgião real William Gull, que também pertenceria à Maçonaria. De acordo com essa versão, Gull teria começado os assassinatos à serviço da coroa, para evitar um escândalo envolvendo um bastardo real. Só que as coisas acabaram saindo do controle, devido à personalidade sombria de Gull.
Isso foi um resumo muito muito muito resumido mesmo. Essa é só a narrativa principal. Mas o romance é muito mais do que isso. Ele intercala citações de outras obras, crítica social e política, teorias da conspiração e filosofia. Todos os personagens envolvidos na trama são aprofundados, inclusive as vítimas são muito bem desenvolvidas, o que faz com que o leitor realmente se importe com o destino delas, você se envolve com a história.
Depois do caso ser - de certo modo - concluído, Gull faz um tipo de viagem metafísica antes de morrer, na qual ele visita vários lugares e pessoas em diferentes formas incorpóreas, colocando em movimento eventos de diversas épocas, como a famosa pintura de William Blake, O Fantasma de uma Pulga. (referência no livro à esquerda)
Em outro quadro, ele mostra Robert Louis Stevenson acordando de uma dessas "visitas incorpóreas" do Gull e esboçando Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde. (à direita)




No final do livro, Moore faz uma análise de capítulo, página à página, explicando o que seria baseado em fatos reais e confirmados e o que seria ficção. Realmente envolve um trabalho investigativo incrível. (foto de uma das páginas acima)

No apêndice (primeira página à direita), temos uma narrativa ótima de como esses crimes influenciaram a literatura e a arte ao longo dos anos. Além das referências dentro da própria história do Moore, temos muitas outras narradas aqui de uma forma bastante irreverente, chegando até os dias de hoje. Aliás, o autor inclui a si próprio (à esquerda) nesse apanhado de pessoas que estavam tentando "pegar a gaivota" (catch the Gull).
Sensacional. Vale muito a pena a leitura. 5 estrelas.


Alan Moore, gênio e piadista.

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